07.15.08

Cape Point: Um mirante para dois mares

Enviado em Viagem tagged , , , , às 9:04 pm de Frank Toogood

Segundo a Bíblia, Moisés usou seu cajado para abrir o Mar Vermelho e livrar seu povo das garras dos malvados egípcios. Depois foi só usar o mesmo cajado para fechar o mar novamente e afogar os cavalos e cavaleiros do faraó…

Na Cidade do Cabo - África do Sul - não há nenhum Moisés, mas o mar está dividido. E bem dividido.

Essa foto é do Cape Point. De lá é possível ver com perfeição a divisão entre os dois mares.

À sua esquerda está o Oceano Índico. este é um lugar de dupla face. Por um lado, foi desprezado na guerra fria, tanto por Estados Unidos quanto por URSS. No final das contas, quem acabou dominando o local foi a Índia… este país, aliás, é afetado pelo outro lado da moeda: sofre constantemente com as monções.

Do outro lado, portanto à direita, está o Oceano Atlântico, largamente conhecido por nós brasileiros. Foi por lá que os portugueses “acharam” essas terras tupiniquins e foi por lá também que nossos pau-Brasil, nosso ouro e, mais recentemente, nossas mulheres e jogadores foram e vão para a Europa.
O Atlântico é também o segundo maior oceano (em extensão) e a História conta que  os antigos o apelidavam de “O Tenebroso”.  De fato, foi um sacrifício conseguir chegar vivo até a parte Sul e dobrar o cabo da Boa Esperança (antes apelidado de Cabo das Tormentas), entretanto, quando o feito foi conseguido por Bartolomeu Dias em 1487, virou motivo de festa e um importante marco histórico.

Cape Point está a quase 250 metros do nível do mar e tem uma visão privilegiada da região. Durante os meses de maio e novembro há a possibilidade de você avistar baleias e golfinhos. Obviamente não há só natureza: eles aproveitam e vendem souvenirs para você lembrar do lugar e voltar sempre…

Quer saber mais sobre Cape Point? Acesse o site oficial (em inglês)

07.11.08

Uma Grande Onda… de arte

Enviado em Grandes quadros tagged , , , , , às 12:15 am de Frank Toogood

2008 é recheado de datas marcantes: 50 anos da Bossa Nova, 50 ano da 1ª Copa do Mundo conquistada pelo Brasil e os 200 anos da chegada da Família Real Portuguesa.
Porém, a data que mais está mobilizando os meios de comunicação é a comemoração aos 100 anos da chegada do Kasato Maru ao porto de Santos. Junto com ele, nada mais, nada menos, que 781 imigrantes japoneses desembarcaram e iniciaram vida nova em terras brasileiras.

Entretanto, esse texto não falará sobre a imigração. Toda essa introdução, na verdade, não tem nada a ver com a série que inicia-se hoje, aqui no Idéia Fix.
GRANDES QUADROS mostrá exatamente o que promete: grandes quadros. Na verdade, não são quadros extensos ou famosos, mas sim aqueles que carregam alguma importância.
Agora eu retomo minha introdução para apresentar o 1° quadro:

A Grande de Kanagawa

Esse quadro faz parte da série 36 vistas do Monte Fuji - na verdade, a série tem 46 gravuras - e é a mais famosa de Katsushika Hokusai.
Essa obra é uma xilogravura. Segundo o blog Murro Diário: “A xilogravura é a arte de preço acessível: o artista entalha o desenho na madeira, passa as tintas e vai imprimindo as cópias, várias, seriadas ou não, limitadas ou não, enquanto a madeira resistir ao desgaste ou até a quantidade desejada pelo artista. Assim, Hokusai deve ter vendido dezenas, centenas ou milhares de reproduções da grande onda de Kanagawa.

Analisando a obra é possível perceber uma grande onda prestes a chocar-se contra o barco de pescadores. Ao longe, o Monte Fuji.
A onda, no caso, pode ser interpretada como as garras da Mãe Natureza (observe a espuma) agindo sobre a tecnologia e conhecimento humano. Quem vencerá essa batalha?

O quadro também foi usado para inspirar os jovens japoneses na II Grande Guerra. Naquela época, o quadro havia influenciado a arte Européia, servindo de inspiração para que artistas também pintassem suas ondas. O governo japonês utilizou-se disso para provar a superioridade da cultura japonesa em relação a do Ocidente.

Apesar de parecer, essa NÃO é a representação de um tsunami. São apenas ondas grandes (muito grandes!) em alto mar. Se toda onda grande for tsunami, então o Havaii está perdido!

Até hoje, a Grande Onda de Kanagawa é referência quando se fala em arte japonesa. Ela é, inclusive, a precursora dos mangás.
Se você tiver interesse, mas principalmente oportunidade e grana, visite o Metropolitan Museum of Art, em New York e tenha o prazer de ver pessoalmente uma cópia dessa obra de arte. Uma outra cópia está na cada de Claude Monet, na França

Em breve tem mais quadros. Garanto… NÃO FALAREI DE MONALISA!

07.09.08

Opinix Especial: Sujeira universal

Enviado em Opinix tagged , , , , , às 8:48 pm de Carlão

Pessoal, o que vocês vão ver agora é um exemplo bem acabado da “indústria das igrejas neo-pentecostais” que tomou conta do Brasil nos últimos anos.
E logo, no seu maior símbolo.

É um pouco longo mas vale a pena.

PS: Não tenho nada contra os evangélicos e tampouco sou partidário da Globo em algumas de suas atitudes. Estou fazendo isso apenas por um dos preceitos básicos do jornalismo (que eu como estudante dessa área tenho que seguir): o preceito do INTERESSE PÚBLICO!!

PS 2: Estou saindo para viajar e ficarei sem escrever até o dia 20 (a confirmar).

(Nota do Frank: Maravilha… depois de cutucar as TJ’s, agora vamos nos meter com a Igreja Universal… Somos muito jovens para sofrer um duplo ataque religioso…)

(Nota extensa do Frank: Eu vou invadir descaradamente o texto do Carlão por acreditar que esse é um assunto sério e digno disso.
A reportagem faz sérias acusações contra a IURD, mostrando, inclusive, gravações com o Bispo Edir Macedo. Ainda segundo a reportagem, a igreja não quis comentar.

Na minha modesta opinião, isso devia ser investigado com mais seriedade. Pelo que eu conheço do código penal, as imagens caracterizam “extorsão”… o que dá cadeia. Como a matéria foi feita há algum tempo e nada mudou, alguma coisa está errada.
Chega a ser cruel abusar da boa fé das pessoas para enriquecer.

Não vou nem comentar sobre o que o pastor desertor disse. Dizem que a testemunha é a (desculpem a linguagem) prostituta das provas. Mas as imagens são contundentes.

Gostaria, sinceramente, de saber a opinião de vocês… Defensores ou não da IURD, manifestem-se!)

07.07.08

Um ano e 198 posts depois…

Enviado em Atualidade, Sem-categoria tagged , , , às 10:43 pm de Frank Toogood

Quem diria que este humilde blogueiro completaria 1 ano comandando este bodega?
Hoje faz exatamente 365 dias que iniciei essa jornada, cheia de surpresas, alegrias e pasmem… nenhuma decepção.
Naquela data mágica - 07/07/07 -  resolvi criar este espaço, que, inicialmente, serviria como portifólio e treinamento para uma boa redação. Com o passar do meses, esse blog transformou-se em uma central de idéias, um espaço no qual eu poderia despejar tudo aquilo que sempre quis dizer mas ninguém teve saco paciência para escutar.
Descobri muitas coisas interessantes, desenvolvi certas habilidades que estavam adormecidas, conheci pessoas fascinantes.
Não há dúvidas que me diverti, seja na hora de elaborar os posts ou de ler e responder os comentários. Não há como vocês imaginarem a alegria de saber que você é lido, diariamente, por cerca de 200 pessoas, o que, para um mero jovem adulto de uma cidade do interior, já é muita coisa.

Devo confessar que, nessas datas, fico nostálgico. Mas dessa vez foi em exagero. Escrevi o post de aniversário e ele ficou um pouquinho grande demais. Virou página especial. Quer saber como tudo se desenrolou nesse 1 ano? Leia o (cof, cof) “resumo” acessando este link.

No mais, eu gostaria de agradecer a todos, sem exceção, que de alguma forma, direta ou indiretamente, me ajudaram nessa empreitada.

Ao Henderson, do Depokafé, por me apresentar ao fascinante mundo da blogosfera;
Ao André, à Sabrina, à Karol, ao Daniel, à Larissa e à mais alguém que eu certamente esqueci, pelas inúmeras idéias de posts;
Ao Carlão, que há pouco tempo abraçou essa idéia fixa e já agrega um tempero todo especial aos conteúdo desse blog;
Aos blogueiros que me linkaram e me visitam regularmente;
À você, que sempre visita este blog, comentando, rindo, me xingando…
À você, que está lendo estas mal traçadas linhas pela primeira vez….

Meu MUITO OBRIGADO.

Para o próximo ano, muitas coisas já estão engatilhadas. Chegamos aonde poucos blogs ousaram chegar. O post em que esse feito histórico é relatado está em fase de elaboração, mas saibam que vem com vídeo e tudo…
O já tradicional lema “O mundo, na visão singular de Frank Toogood”, dá lugar ao miúdo maravilha “Descobrindo um outro lado do mundo”.

Prometo fazer mais matérias de campo. Chega de só pesquisar. Quero agora viver o fato e passar adiante (aos moldes do “Na Televisão, Tudo é Possível” e “Alceu Valença: O rei das vogais)
Prometo continuar a escrever textos sérios, sem esquecer daquela pitada de humor tão necessária ao nosso dia-adia
Prometo impedir que meus hiatos criativos afetem a rotina desse espaço;
Prometo também que outras pessoas postaram suas idéias. Pluralidade é essencial…
E, principalmente, prometo parar de prometer…

Antes que eu me esqueça…. Como é que se finaliza um post de aniversário? Com chapeuzinhos de festa e balões? Não… acho que um Fail vem a calhar nessa hora… e um Fail que exemplifica muito bem a chegada do Idéia Fix na blogosfera…

O que o futuro me reserva?
Well… Alea jacta est

07.04.08

Chaves: Uma analogia da América

Enviado em Atualidade, Humor tagged , , , às 8:16 pm de Frank Toogood

Um dos personagens mais populares da televisão brasileira (fora da Globo, claro) é, ironicamente, um mexicano. Roberto Gomes Bolaños criou um imortal que, cá entre nós, é a salvação do SBT. Estou falando do menino órfão Chaves (do original, Chavo Del 8), que vive em uma vila, cercado de vizinhos pitorescos.

Assistindo a um dos episódios (pela enésima vez, diga-se) percebi que é possível fazer uma analogia entre os personagens do seriado e os países da América. Não fica perfeito, mas é muito curioso. Duvida? Veja só:

Dona Clotilde: A popular “Bruxa do 71” é a Colômbia. Por mais que se esforcem, os moradores da vila acabam precisando da velha, seja para fazer companhia nas noites sóbrias, ou como mera cozinheira, que oferece frangos e bolos.
Vive assustando todo mundo e, apesar de não ser amada, faz falta quando não aparece.

Seu Barriga: O dono da vila é os Estados Unidos. No seriado, é ele que controla todo o capital e ainda por cima, cobra aluguel pessoalmente. Entretanto, é constantemente driblado por seu Madruga, que lhe deve 14 meses de aluguel.
Toda vez que chega à vila, é recebido por uma pancada, desferida pelo pobre Chaves.

Seu Madruga: O homem do bigode é o Brasil. Pobre, um pouco ignorante, mas de bom coração, Madruga não tem emprego fixo. Já foi sapateiro, pedreiro, caixeiro, vendedor de balões e artigos para festa, carpinteiro, fotógrafo, boxeador, enfim… faz de tudo para se virar na vida
Sempre apanha injustamente de dona Florinda, sem nunca reagir. Acaba descontando em Chaves que, geralmente, é o culpado.

Quico: É a própria Argentina! Chato, acha que possui mais do que realmente tem. Adora exibir-se para os amigos, mas, no fim, sempre acaba chorando sozinho na parede.
Também não é muito esperto, ficando para recuperação várias vezes. Fora a incrível capacidade de dizer e fazer besteiras.
Entretanto, o seriado não teria graça sem ele.

Chiquinha: Essa se parece mais com a Venezuela. Acha-se independente e, por isso, arruma confusão com todo mundo. Com seus planos mirabolantes – e poucas vezes eficientes – tenta se dar bem, abusando da boa fé dos amigos.
Apesar disso, sempre acaba pedindo dinheiro para seu Madruga e não raro, para seu Barriga. Nesse último, aliás, adora colocar apelidos ou simplesmente tirar do sério.

Dona Florinda: Definitivamente, é o Paraguai. Viúva, desconta no seu madruga a frustrações da vida. Os bobs na cabeça tentam disfarçar a péssima aparência, que, todos sabem, não tem conserto.
Apesar de bater em seu Madruga, requisita os serviços do pobre homem quando precisa de alguém para vender churros ou fazer uma placa a ser afixada na porta da vila.

Chaves: Por fim, o personagem final da história não poderia ser, ninguém mais, ninguém menos que o próprio México. É pobre, mas nem por isso deixa de se divertir. Arruma uns bicos aqui, outros acolá para conseguir comprar o tão sonhado sanduíche de presunto.
É amigo de todo mundo, porém, nunca deixa de acertar alguma porrada no seu Barriga. Tudo, claro, sem querer querendo…

Esses foram os personagens principais… Mas ainda podemos completar essa incrível analogia com os personagens secundários…

Nhonho: É o Canadá. Filho do seu Barriga, portanto, rico. O pessoal da vila já passou uma temporada em sua casa (a dele, não a sua). Para o enredo não faz a menor diferença, mas, quando aparece, arranca gostosas gargalhadas.

Paty: Com o perdão da licença poética, é o Hawaii. Não aparece muito, mas é sempre lembrada como a mais bela personagem. É disputada por Quico e Chaves. Este último acaba levando vantagem, para desespero de Chiquinha.

Jaiminho: Carteiro. Tangamandápio. Poucas palavras para evitar a fadiga.

Prof° Girafales: Este pode ser comparado ao Chile. Esguio e fino, o prof° Lingüiça (ainda com trema!) ostenta um alto grau de inteligência, chegando a dizer sinônimos da palavra causa (ou motivo, ou razão, ou circunstância… você escolhe). Apesar disso, não consegue engatar um romance mais sério com dona Florinda.

Pops: É a isolada da turma, portanto, Cuba. Vive em seu próprio mundo e realmente acha que a boneca é sua filha (dela, não sua…). Apesar de esquisita, cossegue um diálogo com o pessoal da vila, mantendo uma certa distância do seu Barriga.

Essas surpreendentes comparações são apenas uma das curiosidades que envolvem o seriado. Os mistérios nunca serão totalmente esclarecidos. Já encontraram até uma suástica grafada no muro do terreno baldio.
Mas, um fato que dificilmente será explicado é o enorme sucesso. Por que um seriado com mais de 20 anos de existência e já reprisado inúmeras vezes, ainda alavanca a audiência, chegando a empatar com a Globo? Talvez a pesquisa que diz que as crianças gostam de ver desenhos repetidos porque sente-se seguras sabendo o final dê algumas dicas, entretanto, Chavo Del 8 já entrou pra história da televisão como uma das produções mais baratas (vide mesas de isopor…) e rentáveis.
Além de ser cult…

06.28.08

Bumbódromo: Um Coliseu na Amazônia

Enviado em Arte, Atualidade, Viagem tagged , , , , , , , às 2:30 pm de Frank Toogood

Guardem em seus corações essa frase: A Amazônia é do Brasil.

Três dias de folclore vivo no meio da floresta. Caprichoso e Garantido se degladiam em busca da simpatia dos jurados, que escolherão o melhor boi. Não está entendo nada? Calma… eu me referia ao Festival de Parintins…

O Boi Caprichoso (vencedor do certame do ano passado) e o Boi Garantido são agremiações - tal qual escolas de samba - que se apresentam no último final de semana do mês de Junho, num lugar apelidado de Bumbódromo.
A rivalidade entre os bois vermelho e azul muito se assemelha à dos times de futebol. Sinta o clima na página oficial do Festival:

“O GARANTIDO VIRÁ COM UM ESPETÁCULO GRANDIOSO QUE VAI CONTAGIAR A TODOS. TENDO EM VISTA QUE O CONTRÁRIO VEM COPIANDO MUITO A GENTE, A ORDEM DESTA NOITE SERÁ A SEGUINTE: PRIMEIRO O BOI ORIGINAL E DEPOIS O PIRATA… KKKKKKKKKKKKKKKKKKK…”

A cizãnia entre eles é tão grande que “um torcedor jamais fala o nome do outro Boi, e usa apenas a palavra “contrário” quando quer se referir ao opositor. São proibidas vaias, palmas, gritos ou qualquer outra demonstração de expressão quando o “contrário” se apresenta.

O Bumbódromo é uma arena, projetada em formato de cabeça de boi (brilhante, hein…) para abrigar 35 mil pessoas. Logicamente, os 35 mil lugares são lotados num piscar de olhos. Segundo a Patrícia Maldonado (apresentadora da Band) muitas pessoas entraram na arena as 14 horas de hoje, depois de madrugar na fila. Tudo pela paixão ao Boi.

As toadas - que são as letras das canções - podem falar de tudo. Os temas mais comuns são o rico folclore da região, os rituais indígenas e os costumes dos ribeirinhos. Muitas delas tornam-se hits internacionais. Duvida? Eu aposto que você já ouviu pelo menos um desses trechos: “A cor do meu batuque/ Tem o toque,/ Tem o som da minha voz/ Vermelho, vermelhaço, vermelhusco/ Vermelhante, vermelhão [...] Vermelhou, no curral/ A ideologia do Folclore vermelhou/ Vermelhou, a paixão/ O fogo de artifício da vitória avermelhou”

Mas, o melhor da festa - para os torcedores das agremiações - são as “toadas de desafio”. Essas letras são especialmente criadas para provocar o boi contrário, que, muitas vezes, não tem tempo de responder á altura.

Há uma enorme diferença entre o Carnaval Carioca/Paulista e o Bumba-meu-Boi. Enquanto na Sapucaí/Sambódramo as alegorias transitam numa avenida, em Parintins as alegorias são montadas no centro da Arena, assim como um quebra cabeça. As peças vão entrando e se encaixando, até formar por completo o que elas realmente significam.
Mesmo assim, são verdadeiros carros alegóricos, com movimentos, luzes, efeitos especiais….
Esse ano, o Garantido trouxe à arena um helicóptero de aeromodelismo coberto com plumagens, representando uma arara.. vermelha, claro.
Já o Pajé também veio voando. Usou aqueles mochilas propulsoras controláveis. A verdadeira figura do (humpf) índio moderno.

O Festival desse ano tem uma mensagem muito clara: “Essa festa é do povo brasileiro, para o povo brasileiro”. Depois das polêmicas internacionais sobre a posse da Amazônia, a festa desse ano quer mostrar para o mundo que a Amazônia fala Português… e do Brasil.

Quero deixar bem claro que os Bois não tem nada a ver com isso. Eles se dedicaram boa parte do ano para realizar um espetáculo de singular beleza e de uma importância cultural incomparável. A mensagem tem um significado puramente político.

Tudo bem que, segundo o MST, “dos 30,6 milhões de hectares devastados entre os anos de 1990 e 2006, 25 milhões foram transformados em pasto” [...] “o que corresponde à soma das áreas dos estados de São Paulo, Rio e Espírito Santo“. Isso é um mero detalhe.

Também não deve ser levado em consideração que “a Amazônia é uma das regiões mais biodiversas do planeta, com uma quantidade impressionante de espécies animais e vegetais, e sua devastação traz conseqüências graves para todo o mundo.” Ninguém se importa com isso. O progresso do país é mais importante.

Afinal de contas, “A Amazônia é do Brasil”…

Quer saber mais sobre o Festival de Parintins?

Página Oficial do Festival
Site Oficial do Boi Caprichoso
Canal do Boi Garantido
Artigo na Wikipédia (a mãe dos burros digitalmente incluídos)

Fotos do Festival (será que dá certo essa tal de galeria?)

06.27.08

Opinix: País injusto

Enviado em Opinix tagged , , , às 9:39 pm de Carlão

Hoje vou fazer uma critica a um fato que me entristeceu muito.

Dona Ruth Cardoso (antropóloga e ex- primeira dama no governo FHC) morreu, e, logo após sua morte, li comentários do tipo “já vai tarde” ou ” vai pagar por tudo que fez“.

Ela não foi uma primeira dama qualquer e não foi uma mulher qualquer. Deixou a base para o Bolsa-Familia, deixou as ONGs Comunidade e Alfabetização Solidária e estudou a fundo o problema da desigualdade social no Brasil.

O problema é que tem gente que a confunde com o governo de FHC, no qual houve erros e acertos, como em todos os governos democráticos
Até o Lula tem acertos hehe… mas isso é outra história.

Fato é que as pessoas desse país tratam muito mal seus ídolos e intelectuais. O Brasil é um país que adora ver os defeitos dos outros e só.
E isso também se aplica a instituições que formam intelectuais. Não sendo valorizados aqui, acabam tendo que ir para fora do país, onde são reconhecidos.

(Nota do Frank: Esse é o Brasil… exportando cérebro, talento e competência, em troca de hã… nada)

Oh país injusto!!

PS: Aguardem, vem ai uma super matéria do Idéia Fix! Chegamos aonde poucos blogs ousaram chegar….

06.23.08

Blobfish, um pesadelo em forma de peixe

Enviado em Bizarro tagged , , , às 11:47 pm de Frank Toogood

Até pouco tempo eu achava que o animal mais feio do mundo era o Aye-Aye. Fui obrigado a mudar de opinião.

ESTE É O ANIMAL MAIS FEIO QUE EU JÁ VI:

(minuto de silêncio para apreciação…)

Muito bem… Esse negócio não tem nem nome em português (quer dizer, até tem - peixe-bolha - mas não é oficial…). Em inglês, é chamado de Blobfish. O nome científico é Psychrolutes marcidus. Se você quiser ter um particular com essa criatura, terá que viajar até a Austrália (terra dos bichos estranhos) e para a Tasmânia (que nada mais é que uma ilha perto da Austrália).

Uma vez lá, você deve se estar munido dos melhores pulmões do mundo e uma cápsula submarina. Por quê? A moradia dessa.. hã.. coisa, fica entre 1 e 1,3 quilômetro abaixo do nível do mar. A pressão lá dúzias de vezes maior que ao nível do mar. Quando conseguir superar esse pequeno problema, você poderá observar que esse animal é, na verdade, uma massa gelatinosa, levemente menos densa que a água. Como a pressão lá embaixo é muito grande, há um certo equilíbrio que permite que o bicho flutue entre as pedras sem gastar energia. Ele ainda consegue caçar, camuflando-se entre as pedras.

Eu acho que George Lucas inspirou-se nesse animal para criar o Jabba, do Star Wars… A semelhança é incrível, praticamente um separados na maternidade. Veja:

Uma curiosidade: se você é uma pessoa atenta, percebeu que na boca (???) do Blobfish há um parasita. Parace um sanguessuga albino… o que será aquilo?

Monarquia: Cai aqui, cai acolá

Enviado em Atualidade, Esporte, História tagged , , , , às 12:18 am de Frank Toogood

Observe as duas notícias a seguir: O que elas tem em comum?

Rei deposto por República abandona o palácio no Nepal
Roberto Dinamite vence eleição no Vasco

Esse é um dos momentos em que a História é escrita na nossa frente. Daqui a 50 ou 60 anos, nossos filhos ou netos lerão em seus livros de História (ainda existirão livros de História?) que o Nepal tinha um Rei e que ele foi deposto em 2008. Pode ser até que vire questão de prova para os pequenos nepaleses…
O ex-rei (existe ex-rei?) Gyanendra promete continuar no país e viverá como um civil… assim como eu ou você. Obviamente será um pouquinho mais rico que os demais, porém, será uma cena curiosa ter que esperar na fila do supermercado o ex-rei passar o papel higiênico e os pacotes de arroz.

O segundo caso entra para os anais (sem trocadilhos) do futebol. Muita água ainda rolará por debaixo dessa ponte e não será tão amistosamente que o todo poderoso vascaíno largará o osso. A vitória de Dinamite nas urnas, na verdade, não significa nada. AINDA…. Na sexta feira será dado o veredito final. Será que o sr. Miranda finalmente deixará de ocupar o cargo que tanto insiste em continuar ocupando? Ele não reconhece o pleito, e, de birra, não foi participar da eleição. Eurico só “esqueceu” que a Justiça (com J maiúsculo) deu parecer favorável e o governo do Rio cedeu urnas eletrônicas. Mais alval que isso, eu não consigo.

Agora eu retomo a pergunta inicial… O que as notícias tem em comum?

Ora caro leitor… Tivemos a honra de ver dois Reis sendo depostos (coisa que, cá entre nós, não acontece todo dia). Ambas as situações ocorreram depois de um manifesto popular e não foram conseguidas de forma fácil.
Para a monarquia nepalesa cair foram necessários mais de 200 anos.
Já para o Rei carioca (retratado aí acima), pouco mais de uma década já pode ser considerado muito tempo.

As conseqüência para o Nepal? Uma nova era se abre. Serão anos difícil até adaptação. Pegue como exemplo o Brasil: depois da proclamação da República em 15 de novembro de 1889 (juro que não procurei no Google), o país demorou até se tornar, de fato, democrático. Passamos por Marechais, Coronéis, Cafés-com-Leite, Ditaduras, impeachment, Constituições, AI’s… um processo lento e gradual que ainda não terminou. No Nepeal não será diferente.

Para o Vasco? A curto prazo nenhuma. O time continuará o mesmo, mas, a médio prazo, uma reformulação completa será feita, mais ou menos como foi feito no Palmeiras e no Corinthians, com as saídas de Mustafá e Dualib, respectivamente. Garanto que os vascaínos estão torcendo para o ídolo Roberto Dinamite, primeiro poder entrar novamente no clube e, depois, assumir a presidência do clube.

Para o futebol brasileiro? A queda de Eurico segue a tendência de desaparecimento de déspotas na direção de clubes. Mustafá - o presidente que gostava de fazer negócios das arábias - caiu há um tempo. O Palmeiras passou por um período de instabilidade, mas já é campeão paulista.
O Corinthians ainda sente os efeitos da ecatombe chamada Dualib. A queda para a segunda divisão foi o capítulo derradeiro de uma história alá Maluf: Rouba mas faz.
A caca ainda não terminou de ser removida do Parque São Jorge, mas grandes passos já foram dados.
Agora só falta a CBF se reunir a esses exemplos. Mas isso ainda é um sonho muito distante. O próprio presidente Ricardo Teixeira declarou ao Canal Livre que a CBF é uma empresa privada e, para tanto, deve ser gerida como uma. Traduzindo: Nada de eleições para o meu cargo.

Pois é amigos… dias históricos vivendo estamos. Cai monarquia aqui, cai monarquia acolá… Qual será a próxima a cair? Façam suas apostas…

06.18.08

Goiânia: O acidente radiológico que o Brasil esqueceu

Enviado em História tagged , , , às 10:20 pm de Frank Toogood

O acidente nuclear de Goiânia, ocorrido em 13 de setembro de 1987, pode ser resumido como uma seqüência de besteiras misturada com irresponsabilidade e ignorância.

Tudo começou quando Roberto Santos Alves e Wagner Mota catadores de sucata, invadiram o antigo Instituto Goiano de Radioterapia, que tinha sido desativado há algum tempo. O objetivo era depenar o local e revender o metal para um ferro velho.
A operação ia bem, até que um deles deparou-se com a máquina radioterapêutica. Obviamente, o rapaz não enxergou o objeto como PERIGO IMINENTE e sim como LUCRO CERTO.
Um deles confundiu um pedaço da máquina - uma caixinha - com um peça de chumbo e levou-a para o ferro velho do seu Devair Alves Ferreira e Ivo Alves Ferreira. No dia 18 de setembro de 1987, o acidente toma proporções catastróficas.

Os donos do ferro velho desmontaram a caixa e descobriram o “ouro azul”. Era um pó, muito parecido com sal de cozinha, entretanto, emitia uma luz azulada quando colocado em um local escuro.
Na verdade, o pozinho era Cloreto de Césio (césio-137)

No ferro velho, a descoberta fez a alegria das crianças e dos mais idosos. Como ninguém fazia idéia que o que eles tinham acabado de descobrir na caixa era altamente perigoso, nenhum cuidado foi tomado. As crianças brincavam de passar o pó no rosto e ir brilhar no escuro. Muitos dos que tiveram contato com o Césio-137 saíram do ferro velho e acabaram transmitindo o elemento radiológico, já que, em contato com o ar úmido, o Césio impregna roupas, alimentos e é facilmente espalhado para outras pessoas.

Algumas horas depois de acidente, muitas pessoas tiveram sintomas parecidos com intoxicação alimentar. Quanto mais as horas passavam, mais pessoas recorriam ao hospital para se tratar dos mesmo sintomas: náuseas, tonturas, vômitos, diarréias…
Milhares de pessoas foram contaminadas

Enquanto as pessoas eram contaminadas, a caixinha com o pó de Césio esperava a vez de ser examinada, lá na Vigilância Sanitária:

Somente em 29 de setembro daquele ano, as autoridades levantaram a bunda da cadeira e admitiram o desastre nuclear. Mas aí já era tarde. Leide das Neves Ferreira, ingeriu involuntariamente pequenas quantidades de césio depois de brincar com o pó azul. A menina de seis anos foi a vítima com a maior dose de radiação do acidente.

Inacreditavelmente, os números da tragédia são menores do que uma primeira lida no caso sugere. No total 112 800 pessoas foram expostas aos efeitos do césio, muitas com contaminação corporal externa revertida a tempo. Destas, 129 pessoas apresentaram contaminação corporal interna e externa concreta, vindo a desenvolver sintomas e foram apenas medicadas. Porém, 49 foram internadas, sendo que 21 precisaram sofrer tratamento intensivo; destas, quatro não resistiram e acabaram morrendo.

A responsabilidade, nesse caso, não pode ser creditada aos catadores, nem ao pessoal do ferro velho. Houve uma irresponsabilidade sem tamanho ao abandonarem a máquina no hospital desativado, mesmo que, segundo administrador do Instituto Goiânio de Radioterapia, o local oferecesse segurança para isso.

Como visto, não foi o suficiente…. E, para variar, ninguém foi punido…

Quer saber mais sobre sobre o acidente?
Leia o verbete na Wikipédia
Ou visite o site do Portal Química Online (altamente recomendado… contém gluten fotos)
Ainda há a opção de você assistir o filme produzido sobre a tragédia: “Césio 137 - o Pesadelo de Goiânia”

Em breve: Chernobyl….

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